quinta-feira, 13 de março de 2014

Educação a Distância: (In)Definições, Tecnologias e Modelos

Por: Gabriele Greggersen
Graduada em Pedagogia, Mestre e Doutora em Filosofia e História da Educação pela FE-USP, atuando na Universidade Aberta do Brasil (UAB) no Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC) e na Escola Superior de Educação Aberta do Brasil (ESAB). Endereço: Rua Antenor Borges, 210, apto 413, Canasvieiras, CEP 88054-070 Florianópolis – S.C.

1. Conceitos-chave e problematização

Vivemos uma época de mudanças: nos meios de comunicação, no trabalho, nos hábitos cotidianos, nos relacionamentos em especial familiares, no lazer, até mesmo nos valores e na religiosidade.

Para efeitos desse artigo, voltaremos nossa atenção para a mudança nas relações do ser humano com o conhecimento e assim também com a educação, com base em alguns conceitos e modelos.

Alguns têm chamado a nossa a “sociedade da informação”, “sociedade do conhecimento” e até de “sociedade virtual” ou “cibernética”, de crescente “desterriteriolização” (Lèvy).



Na sociedade da informação, vivemos as contradições da saturação de informações que exigem novas competências de acesso, avaliação e gestão da informação e lança cada vez mais pessoas na ignorância dos saberes profundos e não-utilitários, como da literatura clássica, para a qual não resta tempo. Então, tudo indica que, de uma forma ou de outra, o conhecimento mais elaborado, que envolve o sujeito como um todo está sendo substituído pelo acesso cada vez mais veloz às informações necessárias para que ele se mantenha competitivo. Então cabe antes de tudo, distinguir informação e conhecimento, sem qualquer pretensão de esgotamento ou precisão.

A informação aproxima-se do dado na medida em que depende dele para a contextualização da informação. Por exemplo, a informação de que a educação fundamental brasileira vai mal, se quiser ser dotada de credibilidade, precisa fundamentar-se nos dados, por exemplo, dos resultados do SAEB ou do ENEM. Assim, para serem de alguma utilidade, dados e Informações precisam interagir ou se retroalimentar a fim de alçar ao conhecimento.

Outro exemplo são as notícias do jornal, que são interpretadas de maneira diversa pela população e pelo comentarista ou profissional que se encarregou daquela matéria.

Mas o exemplo clássico é o da medicina. O médico colhe dados do paciente para, à luz de seus conhecimentos, interpretá-los em solicitações (informações) que são passadas para o laboratório, que as decodifica para realizar o tipo de exame solicitado. Uma vez colhidos, esses dados voltam às mãos do médico que os traduz para chegar a um diagnóstico, que expressa o conhecimento tanto do médico, mas agora também do seu paciente, uma vez que o tenha inteirado da solução para o problema de saúde.

Assim, chamamos de conhecimento o saber dotado de significado ou sentido, elaborado a partir do dado, processado em informação. Assim, o conhecimento é construído individual ou coletivamente, a partir de dados e informações que são trabalhados no contexto da experiência e das interações entre pessoas, pelo que se tornam significativas e vivenciais.

A novidade dos tempos pós-modernos é que os lugares onde se buscava o conhecimento como enciclopédias, livros e bibliotecas físicas ou aulas presenciais, têm sido em parte substituídas pelo espaço “virtual” ou cibernético. Como elucida Santos (on line):

O prefixo ciber tem sua origem na “raiz grega Kubernetes = “arte do controle”, da pilotagem, da governança. Hoje, está ligado às tecnol. digitais, que se traduzem, paradoxalmente, pela magia (abolição da dimensão clássica de tempo e espaço) e também pela agregação (societária e
comunitária). 

Belloni (2001, 65) acrescenta que se trata de  um:

termo originário da ficção científica que serve cada vez mais para descrever e delimitar o espaço virtual de comu. e inform. onde se cruzam e ‘interagem’ seres virtuais, conhecimentos científicos e informações prosaicas da vida cotidiana. Quando usamos as redes informáticas para efetuar operações bancárias, reservar hotéis e passagens de avião, ou para mandar mensagens via e-mail, estamos ‘viajando’ no ciberespaço.

Mas o que significa virtual e qual a sua relação com o real? Em seu interessante artigo sobre o assunto, Souza (on-line) fez um levantamento dos sentidos que encontrou para o virtual no mundo ocidental geral:

O que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual
• Que não existe como realidade, mas sim como potência ou faculdade
• O que é suscetível de se realizar, potencial, possível
• Que equivale a outro, podendo fazer às vezes deste, em virtude ou atividade
• O que está predeterminado, e contêm todas as condições para sua realização

Mas particularmente na acepção anglo-saxônica, temos as seguintes definições:

• Algo que embora não exista estritamente, existe em efeito
• Algo que é tão próximo da verdade que para a maioria dos propósitos, pode ser considerado como tal
• Algo que existe em essência ou efeito, embora não seja formalmente reconhecido e admitido como tal
• Algo cuja existência só pode ser inferida por uma evidência indireta


O autor lembra ainda que, no latim, a palavra tem como radical virtus que significa virtude, força, potência; o que imediatamente nos transporta para a ética, que faz pertence ao campo da filosofia, principalmente da ética clássica das virtudes aristotélicas. Em “Estar certo enquanto Homem: as virtudes cardeais redescobertas”, o filósofo e teólogo alemão Josef Pieper (on line) retoma a ética Aristotélica pela vertente tomista, de maneira acessível e atualizada.

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